Insatisfação

3 Dicas de como mudar?

Hoje quero falar das pessoas que se olham no espelho e não gostam do que vêem. Estão cansadas! Às vezes nem se olham no espelho, evitam-se.

Nem sempre conseguimos chegar à conclusão de que estamos insatisfeitas connosco próprias.

Não é fácil este caminho. Parar e olhar para si. Perceber o que sentimos. Aliás, perceber significa parar, olhar, identificar o que sentimos. Não é fácil fazer isso. Não temos tempo para isso….e às vezes nem sabemos como fazer. Nem queremos fazer. Se eu perceber algo, vou ter que fazer alguma coisa a respeito e aí surgem dificuldades: ter coragem, magoar os outros, mudar a perceção de nós próprios e a perceção que os outros tem de nós.

Parece mesmo fácil falar, mas se assim o fosse, muita gente estaria mais satisfeita com as suas vidas, menos queixosa. O caminho mais rotineiro é responsabilizar os outros pela nossa infelicidade. Eles não me ouvem, não percebem as minhas necessidades, não me conhecem. Não tenho sequer alguém que realmente olhe para mim e veja o que estou a sentir!!!!!  Exigimos que as pessoas nos vejam, nos percebam e nos ajudem. Acreditamos que eles são ingratos pois nós fazemos tanto pelos outros. Aliás, tudo o que fazemos é em função do outro. Eu ajudo na hora em que ele precisa, eu escuto, eu disponibilizo o meu tempo…..Porque será que é difícil alguém me ver? Sou tão invisível assim?

Pois bem. É muito mais fácil olhar para aquilo que o outro deixa de me dar e também para aquilo que eu dou, talvez em demasia….. Somos excelentes provedores dos outros e claro, sentimos prazer nisso. Sentimos bem estar em fazer o outro feliz! Ajudar é absolutamente humano e mais, é louvável, sendo valorizado que se ajude o meu mais próximo!!!!!

Por vezes, pergunto aos meus clientes, especialmente aos jovens, quem é o seu melhor amigo e, invariavelmente, eles dão-me um nome e elogiam este amigo tão capaz de cuidar dele quando ele mais precisa. Na verdade, o melhor amigo de uma pessoa é ela própria. A capacidade de se acarinhar, de ser provedor das nossas necessidades, de ficar do nosso lado, de se perdoar, de não ser excessivamente crítico, de perceber o que eu preciso naquele momento da vida…..enfim…como é difícil ser este alguém para nós próprias.

Somos, e com sucesso, para o outro, mas pra nós…..parece ser pouco justo, pouco legítimo.  Parece sim exibicionismo, querer ser valorizada por tão pouco, ter pouca humildade….e por aí vamos com uma série de justificativas para provar que eu não preciso destas validações de mim própria. Deposito no outro a capacidade de ver, de valorizar as minhas competências e escolhas e quando não tenho do outro, fico dececionada, triste e acredito que o mundo não é justo comigo! Afinal, eu dou tanto aos outros e não sobra nada para mim…

E aquele sentimento de insatisfação invade-nos: o que estou a fazer mal? Porque não vêem o meu esforço? Vazio, tristeza, deceção…

É sempre tempo de mudar esta perceção e a nossa atitude!  É tempo de aprender! Este é o primeiro passo: ser capaz de olhar com uma lupa o porquê de ser tão difícil olhar para mim e dar a mim própria o que necessito para me sentir bem, ser feliz e estar satisfeita.

Vou lhe dar então 3 exercícios para você começar a “ver” e agir. Gostaria, se pudesse, que tivesse um caderno de anotações para rever as suas observações.

  • Olhe no espelho logo pela manhã. Aproveite o momento da sua higiene pessoal e programe um tempo maior para este momento. Comece por observar atentamente o seu rosto. Olhe para os seus olhos, para a sua pele, para a sua expressão e procure não julgar o que vê. Sem críticas por mais difícil que seja. Não estamos na frente do espelho para nos avaliar e sim para estarmos conosco, sentir a nossa presença para começar o nosso dia. Posso sentir-me feliz, cansada, irritada, satisfeita, triste…. O importante é identificar o que você sente naqueles breves momentos e assumir que aquela pessoa que está à sua frente é você a sentir esta ou aquela emoção! Assumir que “eu estou assim agora!” “eu me sinto……..” . Não se preocupe em fazer alguma coisa com o que sente. Neste momento, basta identificar o que você sente.
  • Pare para olhar como está o dia hoje. Abra a janela, saia na varanda, espreite pelas cortinas do seu quarto mas olhe para ver como está o tempo. Se está sol, chuva, a ventar, se há pássaros a cantar, se há cães a ladrar, se há movimento de carros ou pessoas na rua e procure sentir o início do dia. É um exercício dos seus sentidos. Sinta os cheiros à sua volta mesmo que não cheire a nada.
  • Inspire e expire. Ouça os sons sem críticas. Olhe para o que está à sua volta. Não importa se o tempo está como você gosta ou não. Aceite o dia como ele está! Como ele é naquele momento!
  • Tome um banho demorado pelo menos 2 vezes na semana. Quero com isso te estimular a entrar em contato com o seu corpo. Sei como é difícil para algumas pessoas olhar para o corpo sem julgar. Por isso, vamos apenas tomar um banho com mais tempo. Pode ser no duche ou na banheira. Procure sentir o gel de banho no seu corpo, a sua mão a tocar no seu corpo. Apenas sinta “o estar consigo naquele momento”. Se puder, anota no seu caderno, as partes do seu corpo que lhe foram agradável tocar.

Publicado por Clara Cruz, psicoterapeuta, formadora certificada, ministra workshops, trabalha em gabinete clínico e escreve sobre a Saúde Mental

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